O Ceará alcançou, em 2025, os menores índices de pobreza absoluta desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2012. Os dados revelam uma redução contínua dos indicadores nos últimos três anos e mostram que mais de 583 mil cearenses saíram da condição de pobreza entre 2022 e 2025, considerando uma das linhas de renda utilizadas pelo Banco Mundial.
O levantamento foi realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), com base nos dados da PNAD Contínua, e aponta reduções de 35%, 21% e 13% nos índices de extrema pobreza e pobreza monetária, conforme os diferentes critérios de renda analisados.
Paralelamente à melhora dos indicadores, iniciativas de assistência social, qualificação profissional e segurança alimentar continuam atendendo famílias em situação de vulnerabilidade. Entre elas está o Programa Ceará Sem Fome, que já distribuiu mais de 90 milhões de refeições e alcançou os 184 municípios cearenses.
Os resultados foram destacados em reportagem divulgada na quarta-feira (21), que também apresentou experiências de organizações sociais voltadas à inclusão produtiva e ao enfrentamento da pobreza no estado.
Pobreza no Ceará apresenta queda por três anos consecutivos
O estudo do Ipece analisou a evolução da renda da população cearense com base em três linhas internacionais de pobreza estabelecidas pelo Banco Mundial.
Os parâmetros consideram a renda mensal por pessoa, atualizada para valores de 2025, permitindo identificar diferentes níveis de vulnerabilidade econômica.
Confira os resultados:
Os percentuais de redução representam a variação proporcional dos indicadores entre 2022 e 2025, e não a diferença em pontos percentuais.
A linha de R$ 280 mensais por pessoa é utilizada como referência para a extrema pobreza. Nesse critério, a proporção de cearenses nessa situação caiu de 14,5% para 9,4%, o menor patamar registrado desde 2012. Em números absolutos, mais de 453 mil pessoas deixaram a extrema pobreza no período analisado.
Já na linha de R$ 774 mensais, utilizada como referência para países de renda média-alta, como o Brasil, a pobreza monetária passou de 52,6% para 45,8%, representando a saída de mais de 583 mil pessoas dessa condição.
Mais de 583 mil cearenses superaram a linha da pobreza
O levantamento demonstra que a redução da pobreza ocorreu independentemente do limite de renda considerado. Segundo o Ipece, o resultado está relacionado a mudanças na renda das famílias ao longo dos últimos anos, incluindo a recuperação do mercado de trabalho e a ampliação dos programas sociais de transferência de renda.
O estudo também identificou crescimento expressivo nos rendimentos da parcela mais pobre da população. Entre 2022 e 2025, a renda média real dos 10% mais pobres do Ceará aumentou 40,6%, passando de R$ 128 para R$ 180 mensais, em valores corrigidos para 2025. No mesmo período, a renda média dos 10% mais ricos apresentou crescimento acumulado de 15,4%.
Apesar da evolução, os números também mostram que a vulnerabilidade econômica continua atingindo uma parcela significativa da população. Pelo critério de renda de R$ 774 por pessoa, 45,8% dos cearenses ainda estavam em situação de pobreza monetária em 2025.
Assim, a redução histórica representa uma melhora nos indicadores, mas não significa que a pobreza tenha sido eliminada no estado.
Programa Ceará Sem Fome já distribuiu mais de 90 milhões de refeições
Uma das iniciativas de enfrentamento à insegurança alimentar no estado é o Programa Ceará Sem Fome, desenvolvido pelo Governo do Ceará em parceria com organizações da sociedade civil.
De acordo com o balanço apresentado pela primeira-dama Lia de Freitas, a iniciativa ultrapassou a marca de 90 milhões de refeições distribuídas ao longo de aproximadamente três anos e dez meses de atuação.
O programa está presente nos 184 municípios cearenses, alcançando cerca de 1.300 territórios por meio de uma rede de entidades e grupos comunitários.
A execução das ações conta com a participação de associações, igrejas, organizações não governamentais e pessoas envolvidas em atividades sociais nas comunidades.
Além da distribuição de alimentos, o Ceará Sem Fome desenvolve ações relacionadas à qualificação profissional, agricultura e saúde, buscando atender diferentes necessidades das famílias acompanhadas. A proposta é associar o acesso à alimentação a outras oportunidades de desenvolvimento social e econômico.

Projetos sociais oferecem cursos e oportunidades de primeiro emprego
Além dos programas governamentais, organizações da sociedade civil também atuam no enfrentamento da pobreza e na promoção da inclusão social. Em Fortaleza, a Associação O Pequeno Nazareno desenvolve atividades de acompanhamento psicossocial, oficinas de direitos humanos e cursos profissionalizantes.
A instituição atua há aproximadamente 30 anos e informa já ter beneficiado mais de 50 mil pessoas, incluindo crianças, adolescentes, jovens e adultos. Entre as ações desenvolvidas está a preparação de jovens para o mercado de trabalho, com oportunidades de formação e acesso ao primeiro emprego.
A jovem aprendiz Myrella Vidal, atendida pela iniciativa, relatou à TV Cidade Fortaleza que o ingresso no mercado de trabalho permitiu contribuir financeiramente com as despesas da família e conquistar maior autonomia. Outro participante, Ícaro Natanael, destacou a importância dos cursos e das oportunidades profissionais para jovens que vivem em regiões com acesso limitado à formação.
Segundo o coordenador da associação, Manoel Torquato, a educação é um dos principais instrumentos utilizados pela instituição para ampliar as possibilidades de transformação social. A atuação da entidade alcança moradores de Fortaleza, da Região Metropolitana e de outras localidades do Norte e do Nordeste.



