O Governo do Ceará apresentou um novo Índice de Prevenção da Violência (IPV), desenvolvido para identificar os municípios que mais necessitam de investimentos e ações preventivas. O levantamento considera os 184 municípios cearenses e aponta concentrações importantes de vulnerabilidade na região do Sertão de Canindé, além da Grande Fortaleza.
Divulgado pelo Governo do Estado nesta quinta-feira (15), o estudo identificou 37 municípios com maior prioridade preventiva, 58 com prioridade intermediária e 89 com menor prioridade relativa. Entre as cinco cidades que apresentaram os maiores valores do índice estão Fortaleza, Madalena, Caucaia, Maranguape e Boa Viagem.
O levantamento utiliza dados referentes a 2025 e considera não apenas os registros de criminalidade, mas também condições sociais, econômicas e estruturais que podem contribuir para a ocorrência da violência.
A apresentação aconteceu na última terça-feira (13), no auditório da Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), em Fortaleza, durante a divulgação dos principais resultados do diagnóstico que orientará a Agenda Estratégica de Prevenção à Violência 2027–2036.
Madalena e Boa Viagem aparecem entre os maiores índices do Ceará
O estudo revelou que Madalena e Boa Viagem, municípios do Sertão Central, estão entre as cinco cidades cearenses com os maiores valores do Índice de Prevenção da Violência. O resultado coloca a região em evidência no planejamento das políticas públicas estaduais, especialmente pela necessidade de compreender os fatores que contribuem para a vulnerabilidade social.
Além desses municípios, o diagnóstico identificou concentrações relevantes de vulnerabilidade no Sertão de Canindé, região que reúne municípios com características sociais e econômicas distintas. É importante esclarecer que o IPV não representa simplesmente um ranking das cidades mais violentas do Ceará.
A ferramenta reúne informações sobre criminalidade e condições sociais para identificar onde as ações preventivas podem ser mais necessárias. Assim, um município pode apresentar elevada prioridade preventiva não apenas pela quantidade de crimes registrados, mas também por fatores como abandono escolar, dificuldades de acesso a serviços públicos e vulnerabilidade da juventude.
Índice reúne 34 indicadores em cinco áreas
O Índice de Prevenção da Violência foi elaborado para oferecer uma visão mais ampla das condições que influenciam a segurança e a qualidade de vida da população. A metodologia reúne 34 indicadores, organizados em cinco dimensões:
- Violência: considera registros e indicadores relacionados à criminalidade.
- Vulnerabilidade social da juventude: analisa condições que podem aumentar a exposição de adolescentes e jovens a situações de risco.
- Economia: observa fatores socioeconômicos associados às condições de vida da população.
- Infraestrutura urbana: considera características estruturais dos territórios.
- Rede institucional de proteção: avalia a presença de serviços e mecanismos de atendimento e proteção social.
As dimensões relacionadas à violência e à vulnerabilidade social da juventude representam 70% do peso total do índice. A escolha reforça a atenção dedicada à prevenção entre adolescentes e jovens, considerando a importância de políticas educacionais, sociais e de inclusão.
O objetivo é permitir que o poder público identifique as necessidades de cada território e desenvolva estratégias adequadas às diferentes realidades municipais.
Como os 184 municípios foram classificados?
Com base nos dados de 2025, os municípios cearenses foram distribuídos em três níveis de prioridade para ações preventivas.
A classificação servirá como referência para orientar o planejamento estadual, permitindo identificar os locais que demandam maior atenção. Segundo o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), municípios com elevada prioridade preventiva estão distribuídos por 13 das 14 regiões de planejamento do estado.
O resultado demonstra que os desafios relacionados à prevenção da violência não estão concentrados exclusivamente na Região Metropolitana de Fortaleza. Também existem diferenças importantes entre municípios de uma mesma região, o que reforça a necessidade de políticas públicas adaptadas às características locais.
Educação, emprego e proteção social entram na estratégia
Uma das principais características do novo índice é considerar que a prevenção da violência envolve diferentes áreas da administração pública. Além das ações tradicionais de Segurança Pública, o levantamento incorpora fatores como abandono escolar, desemprego juvenil, infraestrutura urbana e acesso a serviços de proteção.
Com isso, o Governo do Ceará pretende identificar situações em que investimentos em educação, oportunidades profissionais ou atendimento social possam contribuir para reduzir vulnerabilidades. O coordenador executivo de Prevenção à Violência da Casa Civil, Avilton Júnior, destacou que a ferramenta representa um avanço no planejamento de uma política pública de longo prazo.
Segundo o gestor, a prevenção exige uma abordagem integrada, capaz de reunir diferentes informações e orientar a atuação dos órgãos estaduais. O índice foi idealizado pela Coordenadoria Executiva de Prevenção à Violência (Coprev) e desenvolvido por um grupo técnico coordenado pelo Ipece.
O trabalho contou com a participação da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) e das secretarias estaduais da Educação, Proteção Social e Saúde.

Ceará apresenta redução nos indicadores de criminalidade
Durante a apresentação do levantamento, a Supesp também divulgou informações sobre os indicadores criminais do Ceará em 2026. De acordo com os dados apresentados pelo Governo do Estado, houve uma redução de 46,7% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), na comparação entre os períodos informados de 2025 e 2026. Os registros passaram de 2.239 ocorrências para 1.193, conforme os números divulgados.
Os Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVP) também apresentaram redução de 52,9%, segundo a Supesp. O Governo do Ceará informou que, nos dois indicadores, a redução estadual foi superior à média nacional. Esses resultados, entretanto, representam dados agregados do estado e não permitem concluir que todos os municípios registraram quedas na mesma proporção.
Também é importante diferenciar os indicadores criminais de 2026 dos resultados do IPV, que utiliza 2025 como ano-base e incorpora fatores sociais e estruturais além das ocorrências policiais.
Programa de prevenção prevê R$ 325 milhões em investimentos
O novo índice deverá contribuir para ampliar a atuação do Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência (PReVio), iniciativa que desenvolve projetos voltados à proteção social e à redução de vulnerabilidades.
Atualmente, o programa reúne 35 projetos e ações em dez municípios cearenses, com investimento previsto de R$ 325 milhões. Os recursos incluem financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e contrapartida do Governo do Ceará.
A proposta é utilizar a experiência acumulada pelo programa para construir estratégias de prevenção com alcance estadual. O IPV permitirá identificar municípios prioritários e acompanhar os resultados das intervenções, oferecendo informações para eventuais ajustes nas políticas públicas.
Entretanto, os R$ 325 milhões correspondem ao investimento previsto no programa existente, não a uma nova distribuição de recursos já aprovada para os 184 municípios. O anúncio também não detalha quanto cada cidade poderá receber em futuras ações de prevenção.

Planejamento estadual terá ações previstas até 2036
O Índice de Prevenção da Violência será um dos instrumentos utilizados na elaboração da Agenda Estratégica de Prevenção à Violência 2027–2036. O planejamento terá como objetivo fortalecer a cooperação entre o Governo do Estado e as prefeituras, integrando políticas públicas e definindo prioridades conforme as necessidades de cada território.
Segundo Avilton Júnior, a intenção é ampliar a atuação para além dos dez municípios atualmente contemplados pelo PReVio. A estratégia prevê uma organização por regiões e municípios-polo, permitindo que as ações alcancem localidades com maior necessidade de intervenção.
A Política Estadual de Prevenção e Redução da Violência, instituída pela Lei Estadual nº 19.692/2026, estabelece as bases legais para essa atuação integrada e permanente. O planejamento também deverá considerar o acompanhamento dos resultados, a atualização dos indicadores e a avaliação das políticas implementadas.




