A disputa pela Presidência da República ganhou novos capítulos nesta terça-feira (13), com anúncios, encontros políticos e a apresentação de propostas dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A menos de duas semanas do segundo turno das Eleições, marcado para o domingo (25), os presidenciáveis concentraram suas atividades em Brasília e São Paulo.
Lula anunciou que pretende criar uma versão universitária do programa Pé-de-Meia, com pagamentos mensais de R$ 700 e um incentivo acumulado de R$ 10 mil ao término de um curso de quatro anos, caso seja reeleito. O anúncio foi realizado por meio de um vídeo publicado nas redes sociais.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. Posteriormente, viajou a São Paulo, onde participou de encontros políticos e empresariais e recebeu o apoio majoritário dos diretórios estaduais do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Além das agendas de campanha, os programas de governo apresentados pelos candidatos revelam diferenças nas propostas para a política externa brasileira, especialmente nas relações com os Estados Unidos, Israel, China e países do Sul Global.
Lula promete R$ 700 mensais para estudantes universitários
O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou a intenção de ampliar o modelo do Pé-de-Meia, atualmente destinado a estudantes do ensino médio público, para o ensino superior. De acordo com a proposta divulgada pelo candidato, os universitários contemplados receberiam R$ 700 mensais durante dez meses de cada ano letivo.
Além desse pagamento, o programa reservaria R$ 2.500 ao final de cada ano do curso, formando uma poupança de R$ 10 mil ao término de uma graduação de quatro anos.
Nesse formato, o estudante poderia receber até R$ 28 mil em pagamentos mensais ao longo de quatro anos, além dos R$ 10 mil acumulados para o momento da conclusão, totalizando R$ 38 mil em incentivos, caso todos os pagamentos previstos fossem realizados.
Segundo Lula, a intenção é contribuir para a permanência dos estudantes na universidade e oferecer recursos para o início da vida profissional após a graduação. O candidato não apresentou, no anúncio, detalhes sobre critérios de renda, instituições participantes, fonte de financiamento, exigências acadêmicas ou calendário de implementação.

Flávio Bolsonaro visita Jair Bolsonaro em prisão domiciliar
Enquanto Lula apresentou uma proposta para a educação, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, iniciou a terça-feira (13) com uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. O encontro aconteceu após o encerramento das restrições de visitas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio chegou à residência por volta das 9h30 e permaneceu no local durante aproximadamente uma hora. Após a visita, o candidato conversou com jornalistas e afirmou que o reencontro aumentou sua disposição para continuar as atividades de campanha.
Jair Bolsonaro foi condenado, em 2025, a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022. Entre as condenações estão os crimes de organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Em março de 2026, o ex-presidente recebeu autorização para cumprir prisão domiciliar após uma cirurgia e durante a recuperação de uma pneumonia bacteriana.
MDB oficializa apoio majoritário a Flávio Bolsonaro no segundo turno
Depois de cumprir agenda em Brasília, Flávio Bolsonaro viajou para São Paulo, onde participou de encontros com lideranças políticas e representantes de setores econômicos. Às 16h, o candidato esteve em um evento do MDB, que oficializou o apoio majoritário de seus diretórios estaduais à candidatura do PL.
Segundo as informações divulgadas, 17 dos 27 diretórios estaduais do MDB manifestaram apoio a Flávio Bolsonaro. O encontro contou com a presença do presidente nacional do partido, Baleia Rossi, do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e do governador paulista, Tarcísio de Freitas, filiado ao Republicanos.
O apoio majoritário significa que a maior parte dos diretórios estaduais se posicionou favoravelmente à candidatura, mas não representa necessariamente uma decisão individual de todos os integrantes e eleitores do partido. Posteriormente, Flávio participou de um encontro associativo no Clube Atlético Monte Líbano, com representantes de entidades comerciais.
A agenda também incluiu compromissos com o setor industrial paulista, entre eles um jantar na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Lula e Flávio apresentam propostas diferentes para a política externa
Além das atividades eleitorais, os planos de governo dos dois candidatos apresentam abordagens distintas para as relações internacionais do Brasil. O programa de Lula prioriza o fortalecimento das relações com o Sul Global, a ampliação da cooperação com os países do Brics e a diversificação das parcerias comerciais.
A proposta também defende o aprofundamento das relações com países africanos, o fortalecimento do Mercosul e a integração regional da América do Sul.
Já o programa de Flávio Bolsonaro propõe maior aproximação diplomática com Estados Unidos, Israel e Argentina, além de medidas para ampliar o acesso do Brasil a mercados internacionais. O candidato do PL também defende o ingresso brasileiro na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Relação com Estados Unidos e China está entre os pontos de divergência
As relações com as principais potências econômicas internacionais aparecem entre os temas centrais das propostas eleitorais. O plano de Lula defende uma política externa de múltiplas parcerias, com a intenção de ampliar acordos comerciais sem estabelecer alinhamento automático a governos estrangeiros.
Nesse contexto, o candidato destaca a cooperação com países do Sul Global e a participação brasileira em organizações multilaterais, como o Brics e o G20. O programa também propõe o fortalecimento das relações com a África e a ampliação da presença brasileira em diferentes mercados internacionais.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, defende uma reaproximação com os Estados Unidos e Israel, argumentando que a diplomacia brasileira deve priorizar resultados econômicos e interesses comerciais. O candidato também afirma que pretende manter negociações com diferentes parceiros, incluindo China, União Europeia e países asiáticos.
Defesa nacional e minerais estratégicos também aparecem nos programas
Os candidatos também apresentaram propostas relacionadas à indústria de defesa e à exploração de minerais considerados estratégicos. Lula defende o fortalecimento da capacidade nacional de defesa, incluindo investimentos em equipamentos militares, tecnologia e projetos industriais desenvolvidos no Brasil.
Seu plano também prevê medidas para ampliar o processamento e a agregação de valor aos minerais críticos e às terras raras, buscando reduzir a dependência da exportação de matérias-primas sem beneficiamento.
Flávio Bolsonaro propõe investimentos em tecnologias militares, com atenção a áreas como drones e inteligência artificial. Na exploração de minerais estratégicos, o candidato do PL defende a atração de investimentos estrangeiros e a formação de parcerias internacionais para transferência de tecnologia.
As terras raras são utilizadas na fabricação de equipamentos eletrônicos, tecnologias de energia e sistemas de defesa, o que amplia sua importância nas relações econômicas internacionais.




