A disputa pela Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026 ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (8). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram o confronto político com declarações sobre programas sociais, aposentadorias, jornada de trabalho e segurança pública.
Enquanto Lula questionou a posição do adversário sobre o fim da escala 6×1 e afirmou que propostas de ajuste fiscal poderiam comprometer benefícios sociais, Flávio Bolsonaro declarou que pretende priorizar o Bolsa Família e garantir reajustes acima da inflação para aposentadorias.
O candidato do PL também avançou nas articulações políticas para a votação de 25 de outubro, com o anúncio do apoio do escritor Augusto Cury e a formalização da adesão do Podemos à sua candidatura.
Lula questiona possível abstenção do PL na votação do fim da escala 6×1
Em conversa com jornalistas, Lula afirmou ter recebido, por meio da imprensa, informações de que Flávio Bolsonaro estaria propondo ao PL uma abstenção na votação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias e descansa um.
O presidente criticou a possibilidade e reafirmou o empenho do governo para aprovar a mudança. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, em discussão no Senado, prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas.
Nesta quinta-feira (8), a matéria passou pela terceira das cinco sessões de discussão exigidas antes da votação em primeiro turno. A declaração de Lula, entretanto, representa uma alegação sobre a posição do adversário. As informações apresentadas não confirmam uma orientação formal do PL pela abstenção.
Presidente acusa adversário de ameaçar programas sociais
Lula também intensificou sua comunicação nas redes digitais com vídeos gravados em formato de selfie, nos quais faz críticas às propostas econômicas e de segurança pública atribuídas ao adversário.
Em uma das publicações, o presidente afirmou que um eventual ajuste fiscal de aproximadamente R$ 200 bilhões poderia atingir iniciativas como o Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Minha Casa, Minha Vida, Gás do Povo e alimentação escolar.
As declarações ocorreram após a divulgação de informações sobre estudos de mudanças nas regras de correção de despesas públicas, incluindo Previdência, saúde e educação, que poderiam resultar em um ajuste fiscal de até R$ 250 bilhões.
As possíveis consequências apontadas por Lula são avaliações políticas do presidente e não representam cortes efetivamente anunciados ou implementados. Em outro vídeo, Lula abordou a segurança pública, cobrou apoio à proposta de emenda constitucional sobre o tema e acusou o adversário de adotar uma postura que, em sua avaliação, favoreceria o avanço do crime organizado.
A campanha petista passou a apostar em gravações mais espontâneas e com pouca edição como estratégia para ampliar o alcance das mensagens nas redes sociais durante o segundo turno.
Flávio Bolsonaro defende Bolsa Família e reajuste real das aposentadorias
Em resposta ao debate sobre gastos públicos, Flávio Bolsonaro afirmou que o Bolsa Família deve ser uma das primeiras prioridades de um governo.
O candidato também negou que pretenda modificar as regras de reajuste das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) de forma a eliminar ganhos reais.
Questionado sobre o tema, Flávio declarou que se compromete a conceder reajustes acima da inflação para aposentadorias, caso seja eleito presidente.
A manifestação ocorreu depois de reportagens apontarem que integrantes de sua equipe econômica discutiram possíveis mudanças nas regras de atualização de despesas obrigatórias como parte de um plano de contenção de gastos.
As declarações do candidato representam compromissos de campanha e ainda não constituem medidas aprovadas ou políticas públicas implementadas.
Flávio propõe mudanças na reeleição presidencial
Durante a agenda política desta quinta-feira, após receber o apoio do Podemos, Flávio Bolsonaro também voltou a defender mudanças nas regras de reeleição para cargos do Poder Executivo. O senador afirmou que pretende utilizar a força política de um eventual início de mandato para tentar aprovar uma proposta que acabe com a possibilidade de reeleição presidencial.
Segundo o candidato, caberia ao Congresso Nacional definir se o mandato passaria a ter quatro ou cinco anos e quais cargos seriam abrangidos pela mudança. Flávio também defendeu restrições à candidatura de familiares do presidente, incluindo a possibilidade de impedir que parentes concorram ao cargo imediatamente depois de seu mandato.
Augusto Cury anuncia apoio a Flávio Bolsonaro
Outra movimentação da campanha foi o anúncio de apoio do escritor Augusto Cury à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno. A adesão foi definida após uma conversa entre os dois, realizada na manhã desta quinta-feira (8).
O apoio ocorre em um momento de intensificação das articulações partidárias e da busca por novos aliados para a reta final da eleição presidencial.
Flávio também recebeu o apoio formal do Podemos, partido que passou a integrar sua base de sustentação política para o segundo turno.
Segundo turno será decidido em 25 de outubro
Com a proximidade da votação, os candidatos buscam ampliar o apoio político e conquistar eleitores por meio de propostas relacionadas à economia, à proteção social e às condições de trabalho.
O fim da escala 6×1, a manutenção de benefícios sociais, o reajuste das aposentadorias e as políticas de segurança pública estão entre os temas que ganharam destaque no confronto eleitoral.
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 está marcado para domingo, 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher o próximo presidente da República.





