O Ceará exportou US$ 1,35 milhão em flores e produtos de floricultura em 2024, segundo dados da Secretaria do Desenvolvimento Econômico apresentados em reportagem do GCMais, publicada na última quinta-feira (8). O resultado evidencia a participação do estado no mercado internacional e a importância de uma atividade que reúne produtores rurais, viveiros, distribuidores e comerciantes.
A produção cearense abastece tanto o mercado interno quanto consumidores de outras regiões do país. Entre os principais polos estão a Serra da Ibiapaba, o Baixo Acaraú, Paraipaba, a Região Metropolitana de Fortaleza, o Maciço de Baturité e o Cariri, que apresentam diferentes condições para o cultivo de flores e plantas ornamentais.
Serra da Ibiapaba concentra produção de flores e plantas ornamentais
A Serra da Ibiapaba ocupa uma posição importante na cadeia produtiva da floricultura cearense. No município de São Benedito, viveiros especializados cultivam espécies destinadas à comercialização em diferentes regiões brasileiras.
Segundo Dimas Nary, gerente de um empreendimento do setor, a produção local reúne mais de 200 tipos de plantas e aproximadamente 50 variedades de flores de corte. Os produtos são distribuídos para mercados do Norte e Nordeste, além de São Paulo e Fortaleza.
As condições climáticas e a altitude da região favorecem o desenvolvimento de diferentes espécies. Essa característica contribui para a diversidade da produção e para a consolidação de São Benedito como um dos centros de abastecimento do setor.
Orquídeas estão entre os produtos mais comercializados
Entre as plantas ornamentais produzidas e comercializadas no Ceará, as orquídeas ganharam destaque pela procura de consumidores e comerciantes. De acordo com Dimas Nary, um empreendimento do setor comercializou mais de 30 mil unidades de orquídeas em setembro, destinadas aos mercados do Norte e Nordeste.
As plantas são procuradas para decoração, presentes e cultivo doméstico, movimentando floriculturas, supermercados e estabelecimentos especializados. Além das orquídeas, a produção contempla diferentes espécies de flores de corte e plantas ornamentais, ampliando as possibilidades de comercialização para produtores e distribuidores.
Empreendedor transformou cultivo de rosas do deserto em negócio
O crescimento do setor também aparece na trajetória de pequenos empreendedores que começaram a cultivar plantas como atividade pessoal e, posteriormente, passaram a atuar comercialmente. É o caso de Leudo Júnior, que iniciou o cultivo de rosas do deserto depois de receber uma planta de presente da esposa.
O interesse pela espécie levou o empreendedor a estudar técnicas de reprodução, polinização e enxertia. Com o passar do tempo, a atividade ganhou escala e se transformou em sua principal ocupação profissional.
Atualmente, o produtor mantém mais de 20 mil exemplares de rosas do deserto e uma produção mensal de aproximadamente 10 mil sementes.
O processo envolve desde a seleção das sementes até o desenvolvimento das plantas e a preparação para a comercialização. A utilização de enxertos também permite reproduzir características específicas de exemplares selecionados.
Floricultura movimenta diferentes atividades econômicas
A cadeia produtiva das flores envolve muito mais do que o cultivo. Depois da produção, os exemplares passam por etapas de seleção, preparação, transporte, distribuição e comercialização.
Esse processo movimenta atividades relacionadas à logística, ao comércio e aos serviços especializados, conectando produtores do interior aos centros consumidores.
No Ceará, parte das flores cultivadas na Serra da Ibiapaba segue para Fortaleza, onde abastece floriculturas, supermercados e distribuidores. Outra parcela é enviada para diferentes estados brasileiros. No caso das flores de corte, o transporte exige cuidados específicos para preservar a qualidade dos produtos até a chegada ao consumidor.
A diversidade de espécies também permite atender diferentes públicos, desde consumidores que procuram flores para presentear até pessoas interessadas em jardinagem e colecionismo.
Exportações ampliam presença da floricultura cearense no mercado internacional
O desempenho das exportações demonstra que a produção de flores e plantas ornamentais também participa do comércio exterior brasileiro.
Conforme os dados apresentados pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico, o Ceará comercializou US$ 1,35 milhão em flores e produtos de floricultura com o mercado internacional em 2024.
O resultado reforça a diversidade das atividades do agronegócio cearense, que também inclui exportações de frutas frescas, pescados, crustáceos e produtos de origem vegetal e animal.
Embora a floricultura tenha presença importante no mercado interno, as vendas internacionais ampliam as oportunidades comerciais para o setor.
Para alcançar consumidores de outros países, a produção precisa atender às exigências de qualidade, conservação, transporte e comercialização.
A atividade mostra como o cultivo de flores, muitas vezes associado apenas à decoração e à produção de presentes, também pode contribuir para a movimentação econômica e a geração de oportunidades no interior do Ceará.




