A disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026 movimentou São Paulo neste domingo (11). Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma manifestação que reuniu milhares de apoiadores na Avenida Paulista, o senador Flávio Bolsonaro (PL) encontrou-se com prefeitos, vereadores e lideranças políticas da Grande São Paulo para fortalecer sua campanha no segundo turno.
As agendas ocorreram a duas semanas da votação marcada para 25 de outubro e evidenciaram estratégias diferentes dos candidatos. Lula buscou mobilizar eleitores nas ruas, com discursos sobre direitos trabalhistas, programas sociais e segurança pública. Flávio, por sua vez, concentrou esforços na articulação com lideranças municipais e na apresentação de compromissos econômicos.
Lula participa de manifestação com milhares de apoiadores
O presidente participou da Marcha Pela Democracia, manifestação realizada na Avenida Paulista, nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (MASP). O ato reuniu milhares de pessoas e foi organizado por movimentos sociais e comunidades de fãs de artistas como Lady Gaga, BTS, Beyoncé e Taylor Swift.
Também participaram da mobilização movimentos estudantis, torcidas organizadas de clubes como Palmeiras e Corinthians e representantes da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. Durante o discurso, Lula criticou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente a condução da pandemia de covid-19, e defendeu realizações de sua administração na educação.
O candidato também apresentou propostas para ampliar investimentos em tecnologia e segurança pública.
Fim da escala 6×1 ganha destaque na campanha
Antes da manifestação, Lula afirmou à imprensa que a semana iniciada nesta segunda-feira (12) será decisiva para a eleição presidencial. Um dos principais temas mencionados foi a proposta de fim da escala de trabalho 6×1, que prevê mudanças na jornada semanal e nos períodos de descanso dos trabalhadores.
A votação da matéria no Senado está prevista para quarta-feira (14). Lula afirmou que a votação permitirá conhecer a posição dos parlamentares do PL, partido de Flávio Bolsonaro, sobre a redução da jornada.
O presidente também criticou a possibilidade de adiamento da votação para depois do segundo turno, argumentando que os eleitores precisam conhecer o posicionamento dos partidos antes de comparecer às urnas. A proposta ainda depende de aprovação no Congresso Nacional para entrar em vigor.

Foto: Ricardo Stuckert/Lula Oficial
Presidente critica proposta de corte de gastos
Outro tema abordado por Lula foi o plano de redução de despesas públicas defendido por Flávio Bolsonaro. O presidente voltou a questionar o chamado “tesouraço”, afirmando que a medida poderia comprometer direitos de trabalhadores, aposentados e famílias de baixa renda.
Lula comparou a possibilidade de cortes ao ajuste econômico adotado pelo governo argentino de Javier Milei e defendeu a manutenção das políticas sociais.
As declarações representam críticas e avaliações do candidato petista. Não há, nas informações divulgadas, confirmação de que Flávio tenha anunciado cortes específicos no Bolsa Família ou no Benefício de Prestação Continuada (BPC).
O presidente também defendeu o avanço da PEC da Segurança Pública, argumentando que a proposta ampliaria a participação do governo federal no combate à criminalidade.
Flávio Bolsonaro reúne prefeitos e vereadores na capital paulista
Enquanto Lula participava do ato na Paulista, Flávio Bolsonaro realizou encontros com prefeitos e vereadores da Grande São Paulo, em um prédio localizado na região do Vale do Anhangabaú, no centro da capital. O candidato esteve acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), além de outras lideranças políticas.
A agenda teve como objetivo ampliar a mobilização de aliados e fortalecer a presença da campanha nos municípios paulistas. Durante o encontro, Flávio fez críticas ao presidente Lula e comentou o comportamento dos juros futuros após o resultado do primeiro turno.
O senador associou a queda dessas taxas às expectativas econômicas em torno de sua candidatura. Essa interpretação, entretanto, é uma avaliação política do candidato, e não uma relação de causa e efeito demonstrada pelas informações apresentadas.
Flávio nega cortes no Bolsa Família e no BPC
Em manifestações nas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que os cortes de gastos públicos prometidos por ele não atingirão a área social. O candidato negou a intenção de reduzir benefícios como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Flávio também reafirmou o compromisso de conceder reajustes acima da inflação para aposentados, caso seja eleito presidente. Segundo o senador, uma eventual equipe econômica de seu governo seria capaz de identificar despesas que poderiam ser reduzidas sem comprometer os programas sociais.
Apesar das promessas, o candidato não detalhou, nas declarações apresentadas, quais áreas sofreriam cortes nem como seria estruturado o ajuste fiscal.

Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro
Campanhas buscam ampliar participação dos eleitores
A mobilização dos eleitores também esteve presente nas agendas dos dois candidatos. Lula demonstrou preocupação com a abstenção de 21,08% registrada no primeiro turno e incentivou a participação de pessoas com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo.
Além de São Paulo, apoiadores do presidente realizaram manifestações em cidades como Maceió, Rio de Janeiro, Niterói, Belo Horizonte, Goiânia, Salvador e Brasília.
Na campanha de Flávio Bolsonaro, o encontro com lideranças municipais também reforçou a importância da mobilização dos eleitores e da atuação política nos municípios.
Segundo turno acontece em 25 de outubro
Com menos de duas semanas para a votação, Lula e Flávio Bolsonaro intensificam suas agendas em busca de apoio político e eleitoral.
De um lado, o presidente aposta em manifestações populares e na defesa de políticas sociais e direitos trabalhistas. Do outro, Flávio amplia articulações com prefeitos, vereadores e governantes, enquanto procura apresentar garantias sobre a manutenção de benefícios sociais.
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 será realizado no domingo, 25 de outubro, quando os brasileiros voltarão às urnas para escolher o próximo presidente da República.




