O Ceará prevê mais de R$ 140 milhões em investimentos na indústria calçadista, com expectativa de geração de mais de 4.100 empregos diretos em diferentes regiões do estado. O anúncio foi divulgado pelo Governo do Ceará nesta quinta-feira (15), por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE).
Ao todo, dez indústrias de calçados estão envolvidas nos projetos de expansão, cujos protocolos de intenção foram aprovados pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico do Estado (Condec) e pela Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece).
A iniciativa busca fortalecer a cadeia produtiva, ampliar a capacidade industrial e estimular a geração de emprego e renda no interior cearense. Os investimentos estão previstos para nove municípios, como parte da estratégia de descentralização das atividades econômicas.
É importante destacar que os valores representam investimentos projetados, enquanto os empregos correspondem à expectativa de contratação após a implantação ou ampliação dos empreendimentos.
Nove municípios estão incluídos nos projetos de expansão
O pacote anunciado pelo Governo do Ceará contempla projetos industriais distribuídos por diferentes regiões do estado. Os municípios previstos para receber investimentos são Irauçuba, Granja, Baturité, Porteiras, Mauriti, Brejo Santo, Itapajé, Pentecoste e Pedra Branca.
A distribuição geográfica das unidades integra a política de interiorização da indústria, que procura ampliar as oportunidades econômicas fora dos grandes centros urbanos. Com a instalação ou expansão dos empreendimentos, a expectativa é estimular o mercado de trabalho, fortalecer o comércio e movimentar atividades relacionadas à produção e à distribuição de calçados.
Entretanto, o comunicado não detalha quanto será investido individualmente em cada município nem apresenta a quantidade de vagas previstas por empresa. Os cronogramas de implantação e os processos seletivos também deverão ser divulgados conforme o andamento de cada projeto.
Ceará é o segundo maior exportador de calçados do Brasil
O anúncio dos novos investimentos acontece em um cenário de destaque da indústria calçadista cearense no mercado internacional. Segundo dados divulgados pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico, o Ceará ocupa a segunda posição entre os maiores estados exportadores de calçados do Brasil, considerando o valor e o volume de produtos comercializados.
Entre janeiro e julho de 2026, o estado exportou aproximadamente US$ 84,8 milhões em calçados, o equivalente a 15,7 milhões de pares enviados ao mercado internacional. O desempenho colocou o Ceará atrás apenas do Rio Grande do Sul no período analisado.
Além disso, o estado respondeu por aproximadamente 19% do valor das exportações realizadas pelos cinco principais estados produtores de calçados do país. A atividade também possui importância significativa para o mercado de trabalho. Atualmente, o setor mantém cerca de 64,9 mil empregos diretos no Ceará, contribuindo para a economia de diversos municípios.
Exportações avançam em mercados da América Latina e do Norte
Os calçados produzidos no Ceará alcançam diferentes mercados internacionais, com destaque para países da América Latina e da América do Norte. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam crescimento das vendas para destinos estratégicos ao longo de 2026. Entre os mercados destacados pelo Governo do Ceará estão:
Entre os destinos apresentados, o Canadá registrou o maior crescimento percentual, enquanto a Colômbia se destacou pelo volume financeiro das exportações. A diversificação dos mercados consumidores é considerada importante para ampliar as oportunidades comerciais das empresas e reduzir a dependência de destinos específicos.
Entretanto, o setor continua enfrentando desafios relacionados à concorrência internacional, às oscilações do consumo e aos custos de produção. Nesse contexto, os novos investimentos poderão contribuir para modernizar as unidades industriais e ampliar a competitividade dos produtos cearenses.
Interiorização da indústria busca ampliar oportunidades econômicas
A estratégia de expansão da indústria calçadista também está relacionada à necessidade de distribuir melhor as oportunidades de desenvolvimento entre os municípios cearenses. A instalação de unidades industriais em cidades do interior pode contribuir para reduzir a concentração de empregos nos grandes centros e estimular a permanência de trabalhadores em suas regiões de origem.
Além das contratações diretamente ligadas à fabricação de calçados, o funcionamento das indústrias pode movimentar outros segmentos, como transporte, logística, comércio, alimentação e prestação de serviços. O secretário do Desenvolvimento Econômico, Fábio Feijó, destacou a importância da atração de investimentos e do fortalecimento da capacidade produtiva estadual.
Segundo o gestor, os resultados alcançados pelo setor demonstram a capacidade de adaptação da indústria cearense diante das mudanças do mercado internacional. A política estadual busca oferecer condições para que empresas ampliem suas operações e fortaleçam a presença do Ceará na cadeia nacional de produção de calçados.

Setor calçadista é estratégico para o desenvolvimento do Ceará
A indústria de calçados está entre as atividades industriais relevantes para a economia cearense, especialmente por sua capacidade de gerar empregos formais em municípios de diferentes portes. Ao longo dos anos, a instalação de fábricas no interior contribuiu para a formação de polos produtivos e para a diversificação econômica de localidades anteriormente dependentes de atividades agrícolas e comerciais.
A cadeia produtiva envolve diferentes etapas, desde o fornecimento de matérias-primas até a fabricação, o acabamento, a embalagem e a distribuição dos produtos. Esse conjunto de atividades também demanda profissionais de áreas administrativas, técnicas e operacionais.
Por isso, o fortalecimento do setor depende não apenas de investimentos financeiros, mas também de qualificação profissional, infraestrutura logística, inovação tecnológica e condições de competitividade. A expansão anunciada poderá ampliar a participação do Ceará na produção nacional, desde que os projetos sejam efetivamente implantados e mantenham viabilidade econômica.




