Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite desta quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), localizado na Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife. As chamas provocaram danos significativos em laboratórios, equipamentos e materiais utilizados em pesquisas acadêmicas.
O fogo começou por volta das 19h, no edifício da antiga Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE), próximo à Casa do Estudante. Equipes do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para combater as chamas, que se espalharam rapidamente pela estrutura.
Apesar da gravidade da ocorrência, não houve registro de feridos. O incêndio foi controlado na manhã desta quinta-feira (8), enquanto a universidade iniciou a avaliação dos prejuízos.
Incêndio compromete pesquisas científicas
O prédio atingido abrigava laboratórios voltados a pesquisas nas áreas de fármacos, informática e genética, além de equipamentos e materiais utilizados por estudantes de graduação e pós-graduação.
Segundo o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, o incêndio destruiu uma quantidade considerável de equipamentos, amostras e dados relacionados a dissertações, teses e outros projetos científicos. Entre os estudos desenvolvidos no local estavam pesquisas relacionadas a câncer, obesidade, Covid-19, transtornos mentais e doenças raras.
O reitor informou que o edifício abrigava aproximadamente R$ 100 milhões em equipamentos. Entretanto, esse valor não representa uma estimativa definitiva dos prejuízos, já que a universidade ainda precisa identificar o que foi efetivamente destruído. Além das perdas materiais, pesquisadores relatam que trabalhos desenvolvidos ao longo de meses ou anos podem ter sido comprometidos.
Estudantes teriam recebido ameaças antes do incêndio
O episódio ganhou novos desdobramentos após o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) divulgar relatos de supostas ameaças recebidas por estudantes da universidade horas antes do incêndio.
Segundo o parlamentar eleito, mensagens mencionavam ataques contra setores da instituição, incluindo uma ameaça de explodir um departamento. Ele afirmou que os relatos faziam referência a apoiadores do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Jones Manoel anunciou que buscaria a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para solicitar uma investigação sobre a possibilidade de origem criminosa. Até o momento, a autenticidade das mensagens não foi confirmada pelas autoridades, e não há provas divulgadas de que o incêndio tenha motivação política ou ligação com as ameaças relatadas.
Governo federal acompanha o caso
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, manifestou solidariedade à comunidade acadêmica e informou que o Ministério da Educação mantém contato com a reitoria da UFPE.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, também pediu uma investigação rigorosa e determinou que a Procuradoria-Geral Federal acompanhe as apurações e avalie eventuais providências legais.
A universidade informou que o prédio atingido permanece isolado para avaliação dos danos e que as demais atividades acadêmicas seguem normalmente.
UFPE registra terceiro incêndio em oito dias
O episódio desta quarta-feira foi o terceiro incêndio registrado em instalações da UFPE em um intervalo de oito dias. Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido por chamas durante uma atividade que envolvia o aquecimento de substâncias químicas.
Já no domingo (4), outro incêndio ocorreu no Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. As ocorrências anteriores não deixaram feridos. Entretanto, não há confirmação de ligação entre os três episódios, que precisam ser analisados individualmente.
A UFPE deverá concluir o levantamento dos danos materiais e acadêmicos, enquanto as autoridades trabalham para esclarecer as circunstâncias do incêndio mais recente.


