O Ceará ocupa a liderança nacional na exportação de pescados e também mantém posição de destaque na produção e comercialização de lagosta. Segundo informações apresentadas pelo setor, o Estado concentra cerca de 60% da lagosta capturada no Brasil, reforçando a importância da atividade pesqueira para a economia cearense.
A cadeia, entretanto, vai muito além da captura no mar. Ela envolve pescadores, produtores, indústrias de beneficiamento, trabalhadores, empresas de transporte, supermercados, hotéis, restaurantes e exportadores.
Assim, o pescado que sai do litoral ou dos viveiros movimenta diferentes atividades até chegar ao consumidor no Ceará, em outros estados ou no mercado internacional.
Ceará produz cerca de 3 mil toneladas de lagosta
A lagosta representa um dos principais produtos da pesca cearense. Conforme os dados apresentados pelo setor, o Brasil possui uma cota de captura de 6.192 toneladas, enquanto o Ceará responde por aproximadamente 3 mil toneladas.
Além disso, a pesca da espécie mantém forte relação com pequenas embarcações e comunidades que tradicionalmente vivem da atividade no litoral.
Entre 80% e 90% das embarcações utilizadas na captura da lagosta são paquetes e jangadas, segundo informações apresentadas na reportagem.
Dessa forma, a atividade não depende apenas de grandes estruturas pesqueiras. Pelo contrário, pescadores que utilizam pequenas embarcações participam diretamente de uma cadeia com alcance nacional e internacional.
Pescado passa por diferentes etapas antes de chegar ao consumidor
Depois da captura ou produção, o pescado segue para unidades responsáveis pelo beneficiamento. Nesses locais, as empresas realizam processos como corte, congelamento, fracionamento e embalagem.
Em seguida, os produtos abastecem supermercados, hotéis, restaurantes e feiras. Outra parte segue para diferentes estados e para o exterior.
Além da lagosta, a cadeia trabalha com espécies como tilápia, pescada-amarela, beijupirá e galo-do-alto, entre outros pescados.
Portanto, embora a lagosta ocupe posição de destaque, a atividade pesqueira cearense mantém uma produção diversificada.
Exportações reforçam participação do Ceará no setor
O desempenho das exportações também evidencia a força dessa cadeia produtiva. No primeiro quadrimestre de 2026, o Ceará alcançou a liderança nacional nas exportações de pescado.
Entre janeiro e abril, o Estado exportou US$ 28,73 milhões, aproximadamente R$ 148 milhões, em produtos como lagosta, camarão e peixes.
Além disso, a localização geográfica do Ceará favorece o acesso aos mercados internacionais. A infraestrutura portuária e aeroportuária também contribui para o transporte de produtos frescos e congelados.
Dessa maneira, a cadeia conecta pescadores e produtores cearenses a consumidores localizados a milhares de quilômetros do Estado.
Camarão importado amplia concorrência
Apesar do protagonismo do Ceará, o setor também enfrenta desafios. Um deles envolve a entrada de camarão importado do Equador no mercado brasileiro.
Segundo representantes da cadeia produtiva, o produto importado chega ao mercado com preços menores e, consequentemente, aumenta a concorrência enfrentada pelos produtores locais.
Assim, empresas e produtores cearenses precisam disputar espaço com mercadorias estrangeiras, principalmente nos estabelecimentos que consideram o preço um dos principais critérios de compra.
O cenário reforça o debate sobre competitividade e sobre as condições necessárias para fortalecer a produção local.
Preservação do oceano também preocupa o setor
Outro desafio envolve a preservação dos recursos naturais. Como parte significativa da atividade depende diretamente do mar, a conservação dos ecossistemas se torna essencial para manter a produção ao longo dos próximos anos.
Nesse sentido, o crescimento econômico precisa caminhar ao lado do controle da captura, da fiscalização e do respeito aos períodos e limites estabelecidos para determinadas espécies.
O Ministério da Pesca e Aquicultura, por exemplo, mantém em 2026 um sistema específico de monitoramento da temporada de captura das lagostas vermelha e verde, acompanhando os volumes registrados durante a safra.
Dessa forma, preservar os recursos pesqueiros representa não apenas uma questão ambiental, mas também uma condição para garantir a continuidade econômica das comunidades, trabalhadores e empresas que dependem da atividade.
Do litoral cearense para outros mercados
A liderança do Ceará mostra como um produto capturado por uma pequena embarcação pode percorrer uma extensa cadeia até chegar ao consumidor.
Primeiro, pescadores e produtores fornecem a matéria-prima. Depois, indústrias processam, congelam e embalam os pescados. Em seguida, empresas transportam e distribuem os produtos para o comércio ou para exportação.
Assim, a pesca e a aquicultura movimentam diferentes setores e geram atividade econômica desde as comunidades litorâneas até os mercados internacionais.
Com a liderança brasileira nas exportações de pescados e forte participação na captura de lagosta, o Ceará consolida a economia do mar como uma atividade estratégica. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta o desafio de ampliar mercados, preservar os recursos naturais e manter competitiva uma cadeia que começa, em muitos casos, nas pequenas embarcações do litoral cearense.