O Amazonas enfrenta uma grave situação provocada pelo avanço das queimadas, que registraram um aumento de 271% nos focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Diante do cenário, o governo federal mobilizou uma força-tarefa com aeronaves militares, brigadistas e equipes especializadas para intensificar o combate ao fogo.
Entre os principais reforços estão dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), enviados ao estado para apoiar as operações. As aeronaves chegaram ao Amazonas no domingo (11), com previsão de início das atividades nesta segunda-feira (12).
A mobilização ocorre após o reconhecimento federal da situação de emergência em 36 municípios amazonenses, medida que permite ampliar o apoio da União no enfrentamento dos incêndios florestais e no atendimento às comunidades afetadas.
Amazonas registra 1.380 focos de incêndio em dez dias
De acordo com o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o estado registrou 1.380 focos de incêndio entre os dias 1º e 10 de outubro.
No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizados 372 registros. A comparação representa um crescimento de aproximadamente 271%. Os dados também revelam que a maior parte dos focos identificados ocorreu em áreas públicas.
Confira a distribuição:
- 1.186 focos: áreas públicas;
- 93 focos: propriedades privadas;
- 101 focos: áreas sem situação fundiária definida.
O levantamento também identificou 246 focos em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação. Esses registros representam recortes específicos das áreas atingidas e não devem ser somados aos números gerais por situação fundiária.
Do total analisado, 174 focos foram classificados como relacionados ao desmatamento. Para os demais, o levantamento não apresentava uma causa identificada.
Força Aérea Brasileira envia aviões KC-390
Para ampliar a capacidade de resposta aos incêndios, o governo federal mobilizou dois aviões KC-390, aeronaves militares utilizadas em operações de transporte e apoio logístico.
Além deles, o reforço anunciado inclui quatro aviões Air Tractor, empregados no lançamento de água sobre áreas atingidas pelas chamas, e dois helicópteros, utilizados no transporte de equipes e no apoio a operações em regiões de difícil acesso.
Segundo atualização divulgada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a força-tarefa reúne 11 aeronaves, considerando os equipamentos já mobilizados e os novos reforços.
A operação envolve diferentes órgãos federais e estaduais, com atuação de brigadistas, militares, equipes de Defesa Civil e profissionais de saúde.
Governo reconhece emergência em 36 municípios
No sábado (10), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu, em caráter sumário, a situação de emergência decretada pelo governo do Amazonas em 36 municípios. O reconhecimento permite acelerar o acesso a recursos e a mobilização de equipamentos e profissionais para o enfrentamento da crise.
O ministro Waldez Góes esteve no estado para acompanhar as operações e afirmou que o governo federal disponibilizará os meios necessários ao combate aos incêndios e à assistência à população. A medida também facilita a articulação entre órgãos públicos responsáveis por ações de socorro, assistência humanitária e proteção ambiental.
Amazonas conta com 290 brigadistas federais
De acordo com o governo federal, 290 brigadistas já atuam no Amazonas no enfrentamento dos incêndios florestais. As equipes trabalham em ações de combate direto às chamas, prevenção e monitoramento de áreas atingidas.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou, em levantamento divulgado no sábado (10), que 229 incêndios haviam sido extintos desde o início do atual período crítico, enquanto outros 20 focos permaneciam sob combate.
As operações são articuladas por estruturas de coordenação que integram diferentes órgãos ambientais e de resposta a emergências.
São Paulo envia bombeiros e agentes da Defesa Civil
O governo de São Paulo também anunciou o envio de 30 profissionais para reforçar as operações no Amazonas. O grupo é formado por 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil paulista, com equipamentos e materiais destinados ao combate ao fogo.
O deslocamento foi programado para domingo (11), como parte da cooperação entre os estados diante do agravamento da situação ambiental. A participação das equipes busca ampliar a capacidade de resposta e auxiliar na proteção das comunidades, do patrimônio e do meio ambiente.
Recursos federais reforçam estrutura de combate aos incêndios
Desde 2024, o governo federal disponibilizou R$ 45 milhões ao Amazonas, por meio do projeto ProAmazon, para fortalecer a estrutura do Corpo de Bombeiros Militar no enfrentamento dos incêndios florestais.
Desse total, R$ 34,7 milhões já haviam sido liberados, enquanto aproximadamente R$ 10 milhões permaneciam disponíveis para utilização. Os recursos são destinados à aquisição de viaturas, equipamentos de proteção e à estruturação de bases operacionais.
Segundo o MIDR, o Amazonas também recebeu mais de R$ 372 milhões nos últimos três anos para ações relacionadas a desastres, incluindo socorro, assistência humanitária, reconstrução e restabelecimento de serviços essenciais. Esse montante corresponde a diferentes ações de resposta a desastres e não exclusivamente ao combate às queimadas atuais.
Fumaça compromete qualidade do ar em Manaus
Além dos danos ambientais, os incêndios provocaram uma deterioração da qualidade do ar em Manaus, onde a fumaça passou a atingir níveis considerados prejudiciais à saúde.
A concentração de partículas finas na atmosfera chegou a índices classificados como péssimos, aumentando os riscos de problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.
Diante do cenário, a Prefeitura de Manaus suspendeu eventos municipais ao ar livre previstos para domingo (11) e segunda-feira (12). As autoridades de saúde orientam a população a evitar atividades físicas ao ar livre em períodos de fumaça intensa, manter a hidratação e acompanhar os alertas oficiais.
Operação busca conter avanço do fogo e proteger comunidades
A força-tarefa federal reúne ações de combate aos incêndios, transporte de equipes, assistência à saúde e apoio logístico às localidades afetadas.
O governo do Amazonas também informou que parte da fumaça que atinge o estado pode ter origem em queimadas registradas em outras unidades da Federação.
Com a mobilização de aeronaves, brigadistas e profissionais de diferentes órgãos, a expectativa das autoridades é ampliar a resposta à emergência ambiental e reduzir os impactos dos incêndios sobre a floresta e a população.

