O Papa Leão XIV fez um apelo pelo fim das guerras e pediu orações pelas famílias que perderam entes queridos em conflitos armados durante a Santa Missa do Dia de Finados, celebrada nesta segunda-feira (2), no Cemitério Monumental do Verano, em Roma, na Itália. Diante de aproximadamente 1.500 fiéis, o pontífice destacou o sofrimento de mães, crianças e idosos atingidos pela violência e pediu que essa dor sensibilize as autoridades responsáveis por decisões relacionadas aos confrontos.
A celebração, realizada na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, também foi marcada por reflexões sobre a morte, a saudade e a esperança cristã na Ressurreição. Durante a homilia, Leão XIV ressaltou que a fé em Cristo oferece uma perspectiva de continuidade da comunhão espiritual entre aqueles que permanecem vivos e seus familiares falecidos.
Outro momento da mensagem foi dedicado a São Francisco de Assis, lembrado em 2026 pelos 800 anos de sua morte. O Papa recuperou ensinamentos do santo sobre a chamada “irmã morte corporal”, presentes no Cântico das Criaturas, e relacionou a espiritualidade franciscana à confiança na vida eterna.
Papa pede que sofrimento das famílias sensibilize líderes mundiais
Ao refletir sobre o Evangelho das Bem-aventuranças, especialmente a passagem “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”, Leão XIV direcionou suas orações às famílias atingidas pelas guerras.
O pontífice recordou aqueles que perderam recentemente uma pessoa querida, sobretudo as vítimas da violência dos conflitos armados, e defendeu que o sofrimento dos familiares desperte a consciência de quem possui autoridade para interromper os confrontos.
Durante a homilia, o Papa afirmou: “Que as lágrimas de tantas mães, de tantas crianças, de tantos idosos toquem a consciência daqueles que têm o poder de fazer calar as armas!”
A declaração reforçou o apelo da Igreja Católica pela paz e pela proteção das populações afetadas pela violência. Leão XIV também destacou a importância de acolher espiritualmente as pessoas que enfrentam o luto, reconhecendo a dor provocada pela perda de familiares e amigos.
Missa de Finados reúne fiéis no Cemitério Monumental do Verano
A celebração aconteceu na tarde de segunda-feira (2), no Cemitério Monumental do Verano, um dos principais espaços históricos e funerários da capital italiana.
Antes de presidir a Eucaristia, Leão XIV percorreu uma área do cemitério, permaneceu em oração diante dos túmulos e depositou flores brancas e amarelas sobre uma sepultura. O gesto simbolizou a homenagem aos falecidos e a proximidade espiritual com as famílias que recordam seus entes queridos durante o Dia de Finados.
O cemitério, localizado em Roma, possui aproximadamente 83 hectares e reúne capelas, esculturas, monumentos e sepulturas que preservam mais de dois séculos da história da cidade.
Esta foi a segunda vez consecutiva que Leão XIV presidiu a missa de Finados no Verano, após também ter celebrado a data no local em 2025.
Na abertura da homilia, o pontífice apresentou o cemitério como um espaço de oração, memória, afeto e esperança, onde a comunidade cristã se reúne para recordar os falecidos e renovar a fé.

Leão XIV destaca esperança cristã diante da morte
Além do apelo pela paz, a homilia abordou o significado espiritual do Dia de Finados, celebrado anualmente em 2 de novembro pela Igreja Católica. O Papa explicou que a data, realizada um dia após a Solenidade de Todos os Santos, convida os cristãos a rezarem pelos falecidos e a refletirem sobre a promessa da vida eterna.
Ao comentar as leituras bíblicas, Leão XIV destacou que as Bem-aventuranças apresentam um caminho de vida fundamentado na fé e na esperança. Segundo o pontífice, a mensagem de Jesus adquire um significado particular quando proclamada em um cemitério, lugar onde a memória da existência terrena se encontra com a esperança cristã na Ressurreição.
O Papa também recordou uma passagem do Livro da Sabedoria, que apresenta as almas dos justos como acolhidas e protegidas por Deus. Para Leão XIV, a oração pelos falecidos expressa a confiança na misericórdia divina e fortalece os laços espirituais entre os membros da comunidade cristã.
Papa recorda São Francisco de Assis nos 800 anos de sua morte
A homilia também teve um momento dedicado à espiritualidade de São Francisco de Assis, cuja morte completa 800 anos em 2026. Ao abordar a compreensão cristã da morte, Leão XIV recordou o Cântico das Criaturas, composição na qual o santo de Assis reconhece a morte corporal como parte da existência humana.
No texto, São Francisco utiliza a expressão “irmã morte corporal”, apresentando uma reflexão sobre a finitude da vida e a confiança na vontade de Deus. A referência ganhou significado especial neste ano jubilar franciscano, marcado pelas comemorações do oitavo centenário da morte do santo, ocorrida em 1226. O ensinamento franciscano foi relacionado à esperança na Ressurreição e à maneira como os cristãos são convidados a compreender a passagem da vida terrena.

Vínculo com os falecidos permanece na fé cristã, afirma pontífice
Na parte final da homilia, Leão XIV ressaltou que a fé cristã não considera encerrada a ligação espiritual entre os vivos e aqueles que já morreram. O pontífice afirmou: “Nosso vínculo não foi interrompido, mas transformado.” Segundo o Papa, a oração pelos falecidos representa uma forma de acompanhar espiritualmente os entes queridos e confiar suas vidas à misericórdia de Deus.
A reflexão também destacou a importância da Eucaristia como expressão de comunhão entre os fiéis e como antecipação da promessa cristã de vida eterna. Ao recordar o Livro do Apocalipse, Leão XIV mencionou a esperança de um tempo em que Deus enxugará todas as lágrimas e não haverá mais morte, luto ou sofrimento.