Uma melodia que atravessou gerações e se tornou inseparável da devoção franciscana em Canindé chega a um marco histórico. O tradicional hino “Raia Aurora” completa 100 anos de composição em 2026, mantendo-se vivo na memória e na fé de milhares de devotos de São Francisco das Chagas.
A canção foi composta em 1926, em um período especialmente significativo para a história religiosa de Canindé. Naquele ano, a Igreja celebrava os 700 anos da morte de São Francisco de Assis, ocorrida em 1226.
Um século depois, o centenário do hino acontece justamente no ano em que a Família Franciscana recorda os 800 anos do Trânsito de São Francisco, reforçando a ligação entre a composição e a trajetória da devoção franciscana.
Uma canção que se tornou parte de Canindé
Ao longo dos últimos 100 anos, o “Raia Aurora” deixou de ser apenas uma composição religiosa para se transformar em um elemento da identidade cultural e devocional de Canindé.
O hino acompanha momentos de oração, celebrações e manifestações de fé dedicadas a São Francisco das Chagas, sendo reconhecido por diferentes gerações de moradores e romeiros.
Ele foi escrito e composto por canindeenses. A letra é de Clovis Pinto e a melodia, do maestro Josias Godim. A Banda de Música e o maestro J. Ratinho também contribuíram com os arranjos.
Sua permanência ao longo de um século demonstra como a música religiosa também atua na preservação da memória coletiva. Transmitida entre gerações, a composição permanece associada à experiência de quem participa das celebrações franciscanas e da própria história do Santuário.



Imagens, da esquerda para direita, Clóvis Pinto Damasceno, Josias Gondin e do Maestro J. Ratinho / Fotos: Santuário de São Francisco
Hino nasceu em um período histórico para o Santuário
O ano de 1926 também ocupa lugar especial na história do Santuário de Canindé. Foi naquele período que ocorreu a instalação solene do título de Basílica Menor, concedido pelo Papa Pio XI à Igreja de São Francisco das Chagas.
Além disso, o templo recebeu importantes intervenções artísticas naquele período, incluindo os trabalhos que passaram a compor sua ornamentação interna. Assim, o nascimento do “Raia Aurora” está inserido em um momento de fortalecimento e expansão da devoção franciscana em Canindé.
Música, fé e memória atravessam um século
Chegar aos 100 anos representa também a permanência de uma tradição que continua presente no cotidiano religioso da cidade.
Para muitos devotos, determinadas músicas ultrapassam a dimensão litúrgica e passam a funcionar como uma espécie de memória afetiva da fé. São melodias associadas às peregrinações, às celebrações, às promessas e aos encontros familiares em torno da devoção.
É nesse contexto que o “Raia Aurora” permanece como uma das referências musicais da religiosidade franciscana em Canindé.
Ao longo das décadas, diferentes gerações aprenderam e cantaram o hino, permitindo que a composição chegasse ao centenário ainda reconhecida pelos devotos.
Centenário acontece às vésperas da Festa de São Francisco
A celebração dos 100 anos acontece em um momento especialmente simbólico para Canindé. A cidade está a poucos dias do início da Festa de São Francisco das Chagas 2026, que será realizada entre 7 e 17 de outubro.
Neste ano, os festejos têm como tema “São Francisco: da vida até a morte, um chamado à santidade” e também fazem memória dos 800 anos do Trânsito de São Francisco de Assis.
Antes da abertura oficial, o Santuário realiza, de 3 a 6 de outubro, a programação “Às Portas da Festa”, preparando moradores e romeiros para os dias de maior movimentação religiosa na cidade. Nesse cenário, o centenário do “Raia Aurora” acrescenta mais um elemento histórico às celebrações de 2026.
Depois de um século, o hino permanece como testemunho de uma devoção transmitida de geração em geração e de uma relação entre música, memória, fé e identidade que continua fazendo parte da história de Canindé e de seus romeiros.

Foto: Arquivos / Santuário de Canindé