A quinta noite da novena de São Francisco das Chagas, realizada nesta segunda-feira (12), reuniu uma multidão de fiéis na Praça dos Romeiros, em Canindé, em uma celebração marcada pela devoção a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. A programação integrou os festejos franciscanos e destacou a relação entre a espiritualidade de São Francisco de Assis, a presença de Maria na tradição católica e a fé popular brasileira.
Antes do início da celebração, a imagem de Nossa Senhora Aparecida saiu da Basílica de São Francisco das Chagas, acompanhada pelo Painel de São Francisco, em procissão pelas ruas da cidade. Romeiros e devotos acompanharam o percurso até a Praça dos Romeiros, onde as imagens foram acolhidas pelos participantes.
Diocese de Baturité e seminaristas participam da celebração
A quinta noite teve Sergipe como estado homenageado e a Diocese de Baturité como convidada. A organização ficou sob a responsabilidade das paróquias e da Área Pastoral da Diocese de Baturité, que participaram da programação religiosa.
A celebração também contou com a presença de mais de 70 seminaristas da Arquidiocese de Fortaleza, que vieram em romaria a Canindé. Durante os momentos iniciais, os fiéis acompanharam leituras que relacionaram a vida de São Francisco ao compromisso com a Igreja e à vivência do Evangelho.
A reflexão também recordou a história de Nossa Senhora Aparecida, cuja imagem foi encontrada por pescadores nas águas do Rio Paraíba do Sul, em 1717. A devoção tornou-se uma das principais manifestações religiosas do país, reunindo milhões de brasileiros em torno da figura da Padroeira Nacional.

Frei Vitório Mazzuco destaca a santidade como força de transformação
A homilia foi conduzida por Frei Vitório Mazzuco, integrante da Província Franciscana da Imaculada Conceição, que apresentou reflexões sobre a vida de São Francisco e o significado da santidade na experiência cristã.
Durante a pregação, o religioso destacou que a santidade não deve ser compreendida apenas como uma experiência individual, mas como uma força capaz de transformar pessoas, relações e comunidades.
Ao recordar a trajetória de São Francisco, Frei Vitório mencionou a importância da oração e da influência familiar na formação espiritual do santo, especialmente o testemunho de sua mãe.
O pregador também abordou a experiência de Francisco na pequena Igreja de São Damião, em Assis, na Itália. Segundo ele, a reconstrução daquele templo representou não apenas uma intervenção material, mas também um processo de transformação interior.
A partir dessa passagem, o frade convidou os romeiros a refletirem sobre a necessidade de reconstruir os valores humanos, as relações de fraternidade e o compromisso com o cuidado da criação.

Pregação relaciona devoção mariana à história e à resistência do povo brasileiro
A presença de Nossa Senhora Aparecida também inspirou uma reflexão sobre a história da religiosidade popular no Brasil. Frei Vitório recordou o encontro da imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul e relacionou a devoção mariana à experiência de comunidades que encontraram na fé uma forma de preservar seus vínculos e sua identidade.
O religioso mencionou a resistência de pessoas escravizadas, indígenas e outros grupos que, ao longo da história brasileira, enfrentaram dificuldades para manifestar livremente suas crenças e práticas religiosas. Na interpretação apresentada durante a homilia, a imagem encontrada pelos pescadores tornou-se um símbolo de reconstrução, esperança e reunião do povo.
O frade também destacou a importância das mulheres na formação da sensibilidade franciscana, mencionando a mãe de São Francisco, Santa Clara de Assis e outras figuras femininas presentes na história do santo. Para o pregador, a relação de Francisco com Maria contribuiu para desenvolver uma espiritualidade marcada pelo acolhimento, pela ternura e pelo reconhecimento da dignidade humana.

Romeiros são convidados a defender a vida e a dignidade humana
Outro momento da homilia foi dedicado à responsabilidade dos cristãos diante dos desafios da sociedade. Frei Vitório Mazzuco convidou os participantes a compreenderem a fé como um compromisso que ultrapassa os espaços religiosos e se manifesta no cuidado com as pessoas, especialmente aquelas que enfrentam situações de vulnerabilidade.
Ao relacionar a experiência dos pescadores de Aparecida com a missão da comunidade cristã, o religioso destacou a necessidade de preservar a dignidade humana e promover atitudes de solidariedade. A mensagem também ressaltou o papel das romarias como espaços de encontro, partilha e fortalecimento dos vínculos comunitários.
Nesse contexto, a celebração apresentou a devoção a Nossa Senhora Aparecida e a São Francisco como caminhos de espiritualidade que convidam os fiéis à fraternidade e ao compromisso com a vida.

Procissão de retorno à Basílica encerra a quinta noite de novena
Após a homilia, a programação prosseguiu com os louvores a São Francisco e a bênção do Santíssimo Sacramento. No encerramento, o Painel de São Francisco e a imagem de Nossa Senhora Aparecida retornaram em procissão à Basílica, acompanhados pelos romeiros.
Durante o percurso, os participantes entoaram cânticos franciscanos e marianos, incluindo Ave-Marias e músicas dedicadas à Mãe de Jesus. Ao chegar ao patamar da Basílica, os fiéis cantaram “Maria de Nazaré”, encerrando a noite com uma manifestação coletiva de devoção.
A celebração reforçou a presença de Nossa Senhora Aparecida na espiritualidade do povo brasileiro e sua relação com a tradição franciscana vivenciada em Canindé.


Festa de São Francisco continua até sábado (17)
A Festa de São Francisco das Chagas 2026 acontece entre os dias (7) e (17), com o tema “São Francisco: da vida até a morte, um chamado à santidade”, em referência aos 800 anos do Trânsito de São Francisco de Assis.
O novenário segue até sexta-feira (16), com celebrações diárias às 15h, na Basílica, e às 18h, na Praça dos Romeiros, além das missas e demais atividades religiosas.
O encerramento dos festejos está marcado para sábado (17), com a tradicional Missa do Romeiro, às 5h, a Missa Solene, às 9h, e a Procissão de Encerramento, às 17h, pelas ruas de Canindé.
A programação reúne moradores, peregrinos e devotos de diferentes regiões do Brasil, mantendo viva uma das principais tradições religiosas do Ceará.





