A sexta noite da novena de São Francisco das Chagas, realizada nesta terça-feira (13), na Praça dos Romeiros, em Canindé, foi marcada por um forte apelo à construção da paz e ao combate ao ódio. Diante de uma praça repleta de fiéis, o arcebispo de Maceió, Dom Frei Beto Breis, conduziu uma reflexão sobre o exemplo de São Francisco de Assis e a responsabilidade dos cristãos na promoção da fraternidade.
A celebração teve como subtema São Francisco como modelo de santidade, construtor e comunicador da paz. Durante a homilia, o religioso abordou a violência, a intolerância e a disseminação de discursos de ódio, inclusive nas redes sociais. A mensagem central da noite foi a necessidade de transformar a experiência religiosa em atitudes concretas, levando para a vida cotidiana os ensinamentos de paz e respeito presentes na espiritualidade franciscana.
Frei Gilmar Nascimento convida romeiros a promover a paz
A celebração começou com uma saudação do reitor do Santuário de São Francisco das Chagas, Frei Gilmar Nascimento, que destacou o compromisso dos devotos com a construção de uma sociedade mais fraterna. Ao acolher os participantes, o religioso afirmou: “Quem é franciscano não pode alimentar o ódio, precisa transmitir a paz”.
Em seguida, convidou os fiéis a se unirem em oração e a assumirem a responsabilidade de promover a paz nas relações familiares, comunitárias e sociais. A sexta noite do novenário homenageou o estado de Pernambuco e recebeu como convidada a Diocese de Crateús, no Ceará.
A organização ficou sob a responsabilidade da Comissão Paroquial da Juventude e da Pastoral da Comunicação da Paróquia-Santuário, com a participação de seminaristas da Diocese de Itapipoca.

Jovens representam São Francisco e São Carlo Acutis
A programação também contou com uma apresentação inspirada na Oração pela Paz, tradicionalmente associada à espiritualidade franciscana. Durante a procissão da Palavra, jovens caracterizados como São Francisco de Assis e São Carlo Acutis participaram de um momento simbólico que destacou o testemunho dos santos como exemplos de compromisso com a fé.
A presença das duas figuras religiosas aproximou diferentes gerações da Igreja Católica, relacionando a tradição franciscana à experiência de santidade vivenciada pelos jovens. São Carlo Acutis, cuja memória litúrgica é celebrada no Brasil no dia (13), foi lembrado como uma referência de evangelização e comunicação da fé.

Foto: Luan Nascimento / Pastoral da Comunicação
Dom Beto Breis destaca São Francisco como homem da paz
Responsável pela homilia, Dom Frei Beto Breis iniciou sua pregação com a tradicional saudação franciscana “Paz e Bem”, acolhida pelos romeiros reunidos na Praça. O arcebispo destacou que, mesmo após 800 anos, a mensagem de São Francisco permanece atual e continua inspirando pessoas em diferentes partes do mundo.
Segundo o religioso, a permanência dessa devoção está relacionada à maneira como Francisco viveu os ensinamentos de Jesus Cristo. Dom Beto recordou que o santo escolheu anunciar a paz em uma época marcada por conflitos entre autoridades religiosas e políticas, além de disputas entre comunidades.
Ao comentar a trajetória de Francisco, o arcebispo ressaltou que sua espiritualidade foi construída a partir do exemplo de Jesus, especialmente da humildade, da fraternidade e da rejeição à violência. O pregador também mencionou a saudação preservada no Testamento de São Francisco: “O Senhor te dê a paz”.
Para Dom Beto, essa expressão representa um compromisso que deve orientar a vida dos devotos e não apenas uma saudação utilizada durante as celebrações religiosas.
Arcebispo critica discursos de ódio nas redes sociais
Um dos momentos de maior destaque da homilia foi a reflexão sobre a intolerância e a disseminação do ódio na sociedade contemporânea. Dom Beto afirmou que a falta de respeito às diferenças, os conflitos motivados por divergências de pensamento e as manifestações de violência representam desafios para a convivência humana.
O religioso chamou atenção especialmente para o comportamento de pessoas que utilizam as redes sociais para atacar quem possui opiniões, crenças ou posições políticas diferentes. Ao mencionar plataformas como Facebook e Instagram, o arcebispo criticou a contradição entre a aparência de religiosidade e a prática de atitudes ofensivas contra outras pessoas.
A reflexão também abordou a violência contra as mulheres, incluindo os casos de feminicídio, como uma das manifestações de uma sociedade que ainda precisa avançar na construção da paz. Para o pregador, a experiência cristã exige atitudes de acolhimento, diálogo e respeito, mesmo diante das diferenças.

Romeiros são convidados a levar a paz para suas comunidades
Durante a homilia, Dom Beto destacou que a romaria não deve terminar quando o devoto deixa Canindé e retorna para sua cidade de origem. Segundo o arcebispo, a experiência de fé precisa continuar presente no cotidiano, especialmente nas relações familiares, profissionais e comunitárias.
Ao dirigir-se aos peregrinos, afirmou: “O romeiro ou o devoto de São Francisco não pode voltar para casa sendo instrumento de ódio, de violência e de desrespeito”. A mensagem reforçou que a devoção franciscana deve ser acompanhada por atitudes que contribuam para a superação de conflitos.
Dom Beto também recordou os apelos do papa Leão XIV, em continuidade às mensagens do papa Francisco, sobre a importância de construir uma paz desarmada e desarmante. O religioso convidou os fiéis a reconhecerem a responsabilidade individual na promoção da fraternidade, começando pelas relações mais próximas.

Oitocentos anos da morte de São Francisco inspiram reflexão
A sexta noite de novena também trouxe uma reflexão sobre os 800 anos do Trânsito de São Francisco de Assis, celebrados em 2026. Dom Beto relacionou a maneira como o santo viveu à serenidade com que enfrentou os últimos momentos de sua existência.
Segundo o arcebispo, Francisco acolheu a morte como irmã porque havia construído sua trajetória a partir da confiança em Deus e da busca pela paz. A reflexão apresentou a santidade não apenas como uma experiência espiritual, mas como uma escolha que se manifesta na maneira de viver e de tratar as outras pessoas.
Para o pregador, a vida de São Francisco demonstra que a construção da paz exige coerência entre a fé professada e as atitudes praticadas. O tema está diretamente relacionado à proposta da Festa de São Francisco das Chagas, que convida os devotos a refletirem sobre a santidade ao longo de toda a vida.
Bênção do Santíssimo e abraço da paz encerram a celebração
Após a homilia, a programação prosseguiu com a apresentação dos pedidos de oração dos devotos, recolhidos durante o dia nas proximidades da Basílica de São Francisco das Chagas. A celebração também contou com a ladainha, a coleta e a bênção do Santíssimo Sacramento.
Durante o recolhimento do Santíssimo, Frei Francisco Rogério, responsável pela animação da noite, convidou os participantes a compartilharem o abraço da paz. O gesto simbolizou o compromisso assumido pelos romeiros de transformar a oração em atitudes de fraternidade.
A Festa de São Francisco das Chagas segue até sábado (17), reunindo peregrinos de diferentes regiões do Brasil em Canindé. A sexta noite do novenário deixou como mensagem a necessidade de que a fé ultrapasse os espaços de celebração e contribua para a construção de uma sociedade marcada pelo respeito, pelo diálogo e pela paz.








