O Ceará lidera o Brasil no percentual de estudantes do 6º ao 9º ano da rede pública matriculados em tempo integral. Em 2025, 74,9% dos alunos cearenses dessa etapa permaneciam pelo menos 35 horas semanais em atividades escolares, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026.
O levantamento, elaborado pelo Todos Pela Educação com dados oficiais, coloca o Estado na primeira posição nacional nesse recorte. Além disso, quando o estudo considera conjuntamente as redes pública e privada, o Ceará registra 61,9% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental em tempo integral.
Entretanto, os números também revelam diferenças entre as redes. Enquanto a educação pública concentra a expansão da jornada ampliada, apenas 1,5% dos estudantes da rede particular cearense, nessa mesma etapa, estudam em tempo integral.
Ceará alcança 74,9% na rede pública
O indicador considera como estudante em tempo integral aquele que permanece em atividades escolares por pelo menos sete horas diárias ou 35 horas semanais.
Dessa forma, o cálculo não inclui somente os alunos que passam dois turnos em aulas regulares. O levantamento também considera atividades complementares realizadas no contraturno, desde que a jornada total alcance a carga horária estabelecida.
Entre essas atividades, as escolas podem oferecer reforço escolar, esportes, ações culturais, disciplinas eletivas e projetos voltados à formação dos estudantes.
Assim, a proposta de educação integral busca ampliar não somente o tempo dentro da escola, mas também as experiências educacionais oferecidas durante a jornada.
Rede pública concentra avanço do tempo integral
Os dados mostram uma diferença expressiva entre as redes de ensino do Ceará. Na rede pública, 74,9% dos estudantes do 6º ao 9º ano estão em tempo integral. Já na rede privada, o percentual chega a apenas 1,5%.
Quando o levantamento reúne as duas redes, o Ceará registra 61,9%. Portanto, a ampla presença do tempo integral entre os estudantes cearenses dos anos finais do ensino fundamental está diretamente relacionada à expansão da modalidade nas escolas públicas.
Brasil tem 23,7% dos estudantes dessa etapa em tempo integral
O resultado cearense também ganha destaque quando comparado ao cenário nacional. Dados do Censo Escolar 2025 mostram que 23,7% dos estudantes brasileiros dos anos finais do ensino fundamental estavam matriculados em tempo integral.
Nesse contexto, o percentual de 74,9% registrado especificamente na rede pública cearense evidencia a presença da jornada ampliada nessa etapa de ensino no Estado.
Além disso, o Censo Escolar aponta que a educação básica brasileira alcançou 10,1 milhões de estudantes em tempo integral, considerando diferentes etapas e redes de ensino.
Conectividade ainda representa desafio
Apesar do destaque no tempo integral, o Anuário também identifica desafios para a educação cearense. Um deles envolve a conectividade das escolas públicas.
Em julho de 2026, 51,7% das escolas públicas do Ceará estavam no nível 5 de conectividade, classificação destinada às unidades que possuem velocidade de internet e rede Wi-Fi consideradas adequadas.
O resultado coloca o Ceará com o terceiro menor percentual do Brasil nesse indicador, à frente somente do Amapá e de Roraima.
Além disso, 31,5% das escolas cearenses estavam no nível 2, com velocidade e rede Wi-Fi inadequadas. Outras 16% apresentavam velocidade adequada, mas rede Wi-Fi considerada insuficiente.
Dessa maneira, enquanto o Estado amplia a presença dos estudantes em jornadas integrais, a infraestrutura tecnológica ainda exige avanços.
Aprendizagem também apresenta diferenças entre etapas
O Anuário Brasileiro da Educação Básica também analisou indicadores relacionados à aprendizagem.
Nos anos finais do ensino fundamental, 33,4% dos estudantes cearenses apresentaram aprendizagem adequada em matemática, enquanto 51,2% alcançaram o nível adequado em língua portuguesa.
Já no ensino médio, os percentuais caem para 13,6% em matemática e 39,7% em língua portuguesa.
Além disso, aumenta a parcela de estudantes classificada abaixo do nível básico. Nos anos finais do ensino fundamental, esse grupo representa 22,2% em matemática e 11,9% em língua portuguesa.
No ensino médio, por outro lado, os percentuais chegam a 52,5% em matemática e 28,7% em língua portuguesa.
Os indicadores das duas etapas não acompanham necessariamente os mesmos estudantes individualmente. Ainda assim, eles ajudam a mostrar os desafios relacionados à consolidação da aprendizagem ao longo da trajetória escolar.
Tempo integral avança, mas qualidade continua no centro do debate
Os números apresentam, portanto, diferentes aspectos da educação cearense.
Por um lado, o Ceará alcançou a liderança brasileira na proporção de estudantes da rede pública do 6º ao 9º ano matriculados em tempo integral. Por outro, conectividade e aprendizagem permanecem como desafios importantes.
Nesse sentido, ampliar a quantidade de horas na escola representa uma parte da política de educação integral. Entretanto, especialistas também destacam a importância de utilizar esse período adicional para diversificar atividades e ampliar as oportunidades de aprendizagem.
Assim, os dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026 mostram um Ceará com forte presença da educação em tempo integral nos anos finais do ensino fundamental, ao mesmo tempo em que indicam áreas que ainda precisam avançar para acompanhar a expansão da jornada escolar.