A tecnologia aplicada à pecuária leiteira tem transformado a produção no município de Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará. Em uma fazenda da região, o uso de melhoramento genético, biotecnologias reprodutivas, alimentação balanceada e manejo especializado fez a média de produção passar de aproximadamente 12 para 38 litros de leite por vaca diariamente.
O trabalho começou há cerca de 30 anos e avançou gradativamente. Primeiro, os produtores adotaram a inseminação artificial. Depois, incorporaram a transferência de embriões e, posteriormente, a fertilização in vitro.
Atualmente, todo o rebanho da propriedade retratada resulta de uma dessas biotecnologias. Além disso, os responsáveis acompanham e selecionam os animais desde os primeiros meses de vida.
Dessa forma, a fazenda conseguiu elevar a produtividade sem depender apenas do aumento da quantidade de animais.
Melhoramento genético começa nos primeiros meses
O acompanhamento das bezerras começa ainda nos primeiros meses de vida. A propriedade avalia características dos animais e utiliza critérios de seleção genética e nutricional para desenvolver um rebanho mais produtivo.
As bezerras chegam à idade reprodutiva por volta dos dois anos. Enquanto isso, o planejamento genético permite que a propriedade mantenha a renovação do próprio rebanho.
Segundo o administrador da fazenda, Jânio Lima, o conjunto de técnicas permitiu chegar a 2026 com a quantidade de animais e o nível de produção atuais sem a necessidade de comprar novos exemplares de outras propriedades.
Portanto, a genética funciona em conjunto com outras etapas da produção, principalmente alimentação, manejo e bem-estar dos animais.
Rotina busca produtividade e bem-estar
A tecnologia também modificou a estrutura e a rotina da propriedade. Os animais permanecem em espaços adaptados ao manejo leiteiro e seguem diferentes ciclos de atividades ao longo do dia.
O primeiro banho acontece por volta das 2h da manhã. Em seguida, os animais passam pela ordenha e recebem alimentação. Posteriormente, a rotina se repete, intercalando períodos de alimentação, descanso e ruminação.
Além disso, a propriedade organiza o manejo para reduzir o estresse do rebanho e favorecer melhores condições para a produção. Assim, diferentes atividades funcionam simultaneamente para manter a rotina dos animais e alcançar os resultados esperados.
Alimentação balanceada ajuda a elevar produção
A alimentação representa outro ponto fundamental. A dieta inclui silagem de milho, caroço de algodão e ração especializada.
Uma máquina mistura os ingredientes e distribui a alimentação em porções durante o dia. Dessa maneira, os animais recebem uma dieta planejada de acordo com as necessidades do sistema produtivo.
A tecnologia também chegou à ordenha. Um sistema de tubulação conduz o leite diretamente para os tanques de resfriamento, evitando o contato manual durante essa etapa. Portanto, genética, nutrição, manejo e equipamentos atuam de forma integrada para aumentar a eficiência da produção.
Pecuária leiteira movimenta economia de Quixeramobim
O impacto da produção ultrapassa os limites das fazendas. A pecuária leiteira ocupa posição importante na economia de Quixeramobim e movimenta uma cadeia formada por produtores, trabalhadores rurais, fornecedores de alimentação animal, equipamentos e diferentes prestadores de serviços.
Segundo o secretário de Agricultura do município, Zé Maria Pimenta, a atividade responde por aproximadamente 5 mil dos mais de 11 mil empregos com carteira assinada existentes em Quixeramobim.
Além disso, diferentes distritos mantêm produtores ligados à atividade. Assim, a renda gerada pela cadeia do leite circula por várias comunidades do município.
O secretário também destaca que o processo de melhoramento genético começou na região há cerca de três décadas, quando aproximadamente 200 pequenos produtores e vaqueiros participaram de uma capacitação em Pernambuco.
Naquele período, segundo o gestor, uma vaca considerada boa produtora alcançava cerca de 10 litros de leite. Já na propriedade apresentada na reportagem, a média atual se aproxima de 40 litros por animal.
Quixeramobim se destaca na pecuária leiteira do Sertão Central
A importância da atividade também aparece em estudos sobre a produção rural do município. Levantamento acadêmico sobre os sistemas de produção de leite bovino já identificou a bovinocultura leiteira como uma das principais atividades de Quixeramobim.
Além disso, levantamentos mais recentes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam competitividade da atividade na região e mostram a presença de propriedades de diferentes portes e níveis de produção.
Nesse cenário, a experiência desenvolvida ao longo de três décadas demonstra como a incorporação de tecnologia no campo pode modificar uma atividade tradicional do Semiárido.
Assim, ao combinar conhecimento dos produtores com melhoramento genético, biotecnologia, nutrição e manejo, Quixeramobim fortalece uma cadeia produtiva que gera leite, emprego e renda no Sertão Central cearense.